Liberação de Pampulha não necessariamente tira usuários de Confins, mas atende demanda reprimida

Demanda reprimida, também referida como demanda latente ou demanda potencial, equivale à parcela de consumidores que se encontra, de alguma forma, limitada ou impedida de consumir determinado produto ou serviço. 


Essa repressão à demanda poder se dar, por exemplo, em função de preços, oferta ou restrições governamentais que impeçam os consumo de bem ou serviço em sua plenitude. Em outras palavras, é uma situação em que potencialmente mais pessoas poderiam estar sendo atendidas e estabelecendo suas relações de consumo.

No caso de Belo Horizonte, é evidente a existência de uma demanda reprimida por voos de ponte aérea no aeroporto da Pampulha, mais próximo. Dadas as características do aeroporto internacional, em Confins, há um nicho de mercado desatendido em função de distância, custos, e tempo, principalmente quando se trata de viagens a trabalho. Isto significa que mais pessoas poderiam estar viajando ou viajando mais em BH

Migração para a aviação geral na Pampulha

Os números do "Anuário Estatístico de Tráfego Aéreo" do Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea - CGNA - mostram que Pampulha (SBBH) é a principal origem e o principal destino da aviação geral no aeroporto de Congonhas (SBSP), em São Paulo. São em média 7 voos particulares por dia entre os dois aeroportos.

Fonte: Anuário CGNA 2017
É notável o fato de que, embora a rota mais movimentada do Brasil seja a ponte aérea entre Congonhas/SP e Santos Dumont/RJ, Pampulha passa na frente do RJ quando se trata de voos particulares. 

Este fato pode ser explicado pela larga oferta de voos comerciais regulares entre os aeroportos centrais das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, em contraste com a ausência de voos comerciais entre Pampulha e Congonhas.

Uma vez que o mercado consumidor dos serviços de transporte aéreo não tem a oferta de voos comerciais na Pampulha, a aviação executiva e os serviços de taxi-aéreo, por exemplo, são as únicas alternativas para quem tem condições de contratar o serviço. Esta situação favorece às empresas que oferecem serviços em jatinhos executivos, que obviamente não querem a liberação de voos comerciais no aeroporto da Pampulha.

A maior parte do mercado, que não tem acesso a estes serviços particulares, está condicionada a ir para Confins, podendo estar viajando menos, ou nem viajar, em determinadas situações. Tem-se aqui o indicativo da existência de uma demanda reprimida no mercado aéreo em Belo Horizonte, onde a ausência da oferta de uma linha comercial de ponte aérea provoca essa migração para a aviação geral.

Estimativa da demanda reprimida em BH

Em estudo encomendado pela CODEMGE, para avaliar possíveis impactos da liberação de voos na Pampulha sobre Confins, a consultoria CERES considerou a demanda reprimida existente no mercado da aviação comercial em Belo Horizonte. 

Com base nos voos solicitados pelas companhias interessadas em operar na Pampulha, a consultoria calculou que 1,1 milhão de assentos correspondiam a uma oferta excedente à existente em Confins. Ou seja, grande parte dos voos destinados à Pampulha não seriam transferidos de Confins, mas sim criados novos voos em atendimento à demanda latente pelo aeroporto central.

  • Avaliação da Exploração do Aeroporto da Pampulha e os impactos em Confins - CERES set/2018 
  • Nota: O estudo da CERES considerou todos voos solicitados pelas companhias e não a quantidade que de fato foi aprovada pela ANAC para Pampulha; O estudo desconsiderou a capacidade anual de 2,2 milhões de passageiros e desconsiderou também o limite de 155 operações semanais, conforme a Portaria Nº 2.829/2018 da ANAC.

O número de 1,1 milhão de passageiros, como demanda reprimida, já é a metade da capacidade anual do aeroporto da Pampulha. Considerando esses cálculos, nota-se o aeroporto de Pampulha tem condições de gerar sua própria demanda.


Assim, conclui-se que a oferta de serviços diferenciados em aeroportos com características distintas podem na verdade aumentar significativamente o número de passageiros no sistema de aeroportos de Belo Horizonte.
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